Voluntariado levanta Leiria
Mais de 200 voluntários responderam ao apelo da Fundação Galp e, em três horas de trabalho na Mata Nacional de Leiria, tornaram o parque de merendas da Água Formosa menos vulnerável a incêndios
Mais de 200 voluntários responderam ao apelo da Fundação Galp e, em três horas de trabalho na Mata Nacional de Leiria, tornaram o parque de merendas da Água Formosa menos vulnerável a incêndios
A manhã começou com autocarros a entrar na estrada da Mata Nacional de Leiria, que conduz ao parque de merendas da Água Formosa. Saíram mais de 200 pessoas de todas as idades, unidas pelo propósito de ajudar a zona centro a reerguer-se depois da ferida aberta pela tempestade Kristin. Ao fim de três horas de voluntariado promovido pela Fundação Galp, cumpriu-se a promessa de deixarem a zona mais segura para o Dia da Espiga e para o verão.
À chegada, o cenário falava por si no parque de merendas, habitualmente lugar de piqueniques em família: árvores tombadas, ramos secos espalhados pelo chão e acácias invasoras a disputar espaço com as espécies autóctones, cicatrizes ainda recentes da fúria das intempéries que varrem a Mata Nacional de Leiria desde 2017, entre incêndios, furacão Leslie e, mais recentemente, tempestade Kristin.
A urgência das respostas motivou a Fundação Galp a voltar à região na terceira ação de voluntariado sob o lema “O tempo que conta”, depois da recuperação das dunas e da limpeza da praia de Vieira de Leiria. “Desde a primeira hora, o Grupo Galp organizou um plano de combate à emergência para os diferentes concelhos afetados pelas tempestades”, recordou Sandra Aparício, diretora-executiva da Fundação Galp, enquanto observava os grupos de voluntários a distribuírem-se pela mata, cada um com uma tarefa definida, sob orientação da equipa da Quercus.
Os resultados refletem a escala do esforço coletivo, com seis metros cúbicos de acácias cortadas e 300 descascadas para travar este avanço, cinco mil sementes de herbáceas com flores para polinizadores lançadas ao solo, 100 amieiros e salgueiros jovens plantados junto às zonas mais húmidas, mil pinheiros sujeitos a podas de formação e cinco caixas-ninho instaladas para aves.
“A intervenção da comunidade nestes espaços naturais é muito importante. Os voluntários deixam muitas marcas, como o impacto físico da ação – na remoção das acácias e deste material linhoso –, e a mensagem e a sensibilização. Todos os voluntários aprendem ao vir cá. Esta interação é muito importante porque o que se fez aqui não morre aqui. Segue para a vida destas pessoas”, frisou Paula Nunes da Silva, coordenadora da Quercus no terreno.
Houve quem avançasse pela mata com tesouras de poda, quem se dedicasse à remoção de ramos secos ou quem se concentrasse a atirar bolas de sementes para o solo. O gesto repetiu-se dezenas de vezes, carregado de intenção. Ana Filipa Martins, diretora da Direção de Gestão de Riscos do BPI, fez uma pausa para recuperar o fôlego e resumir o sentimento dos 103 voluntários do banco que aderiram à iniciativa: “O contributo de cada um de nós é pequenino, mas fazemos a diferença enquanto grupo. É importante passar a mensagem de que cada um de nós faz parte de uma sociedade que se importa. Porque não há mãos suficientes para limpar tudo o que é preciso.”
Sem a ação de voluntariado promovida pela Fundação Galp, reforçou Paulo Teixeira, vogal da Junta de Freguesia de Vieira de Leiria, a limpeza do espaço “demoraria muito mais tempo a cumprir”. A ajuda surgiu num momento crucial, face à data-limite legal de 30 de junho para a limpeza de terrenos, devido ao risco de incêndio. “Temos muitas prioridades e recursos limitados. Esta intervenção da Fundação Galp é uma mais-valia porque nos permite chegar mais depressa ao objetivo de garantirmos um espaço de lazer mais agradável e seguro para quem o frequenta ou nos visita”, elogiou.
Para a Fundação Galp, a ação na Água Formosa é parte do propósito de “dar voz ao voluntariado”, nas palavras de Sandra Aparício. A presença de 200 voluntários, num total de 1300 em iniciativas realizadas neste ano, “enche de orgulho” os colaboradores da empresa envolvidos nesta missão. “Faz-nos acreditar que o voluntariado é uma ferramenta de impacto. Mostramos que a cooperação social faz todo o sentido e que o caminho se faz em conjunto. O que recebemos é muito maior do que aquilo que estamos a entregar.” Mesmo ali ao lado, o cantor Diogo Piçarra, um dos embaixadores do projeto, contribuía para a limpeza da mata, como qualquer outro voluntário.
Premiar quem escolhe agir também encorajou os participantes na ação. Inês Peixoto, estudante de mestrado em Políticas Sociais, aliou a consciência ambiental e a solidariedade para com Leiria à confiança na Fundação Galp, que conhecia de outras iniciativas. “Acho louvável que uma empresa com a dimensão da Galp tenha a disponibilidade e a iniciativa de promover o voluntariado, usando os seus recursos em prol da comunidade. Muitas podiam fazê-lo e passam ao lado”, defendeu a socióloga. Mas se há traço comum em todos os testemunhos é a sensação de uma causa maior às organizações envolvidas. A região centro, em particular o concelho da Marinha Grande, é atualmente o epicentro visível de muitas vulnerabilidades climáticas que se projetam no futuro. Mariana Vasconcelos, colaboradora na área de serviço ao cliente da Galp, despediu-se de uma manhã simbólica a lembrar que, “se cada um fizer uma parte, contribui para que não haja tantos incêndios”.