Três organizações alinhadas no voluntariado
Apesar dos modelos distintos, Galp, Sonae e BPI estão a apostar no papel do voluntariado corporativo como eixo estratégico das suas políticas de sustentabilidade.
Apesar dos modelos distintos, Galp, Sonae e BPI estão a apostar no papel do voluntariado corporativo como eixo estratégico das suas políticas de sustentabilidade.
As experiências de voluntariado corporativo promovidas por Galp, Sonae e BPI revelam um compromisso comum com o impacto social sustentado, assente nas pessoas e na ligação ao território. As três empresas, investidores relevantes em projetos sociais, partilharam as suas abordagens na conversa subordinada ao tema “Quando o voluntariado funciona: 3 experiências, 3 lições práticas corporativas”.
Para Sandra Aparício, diretora-executiva da Fundação Galp, o ponto de partida está na escuta ativa das comunidades. “Temos um sistema de atuação nos territórios onde a Galp está presente. A Fundação assume aqui o papel de quem está a escutar ativamente – identifica o propósito e a estratégia de impacto social e efetua diagnósticos socioeconómicos”, explica. Este modelo permite à empresa uma atuação informada e profunda em comunidades como Sines, Matosinhos, Alcântara ou Alcoutim, garantindo proximidade e continuidade, dois fatores considerados essenciais para gerar transformação real.
A Galp aposta numa presença consistente, capaz de evoluir em conjunto com os parceiros locais. Mas Sandra Aparício salienta que “não há um modelo certo” de voluntariado. “Algumas empresas focam-se na promoção do voluntariado como valor de cidadania e solidariedade. Também o fazemos, mas assumimos o voluntariado corporativo como instrumento da nossa estratégia de impacto social. Para além da empresa e dos parceiros sociais, um dos agentes dessa estratégia são as pessoas. Estabelecemos uma forma de monitorizar e medir o impacto nos nossos voluntários. É essa conjugação que tem permitido o crescimento do programa ao longo dos anos, permitindo-nos identificar os agentes que nos fazem criar escala e impacto. Cada vez mais, queremos impacto sustentável.”
A possibilidade de cada trabalhador dedicar até 48 horas anuais a ações de voluntariado reforça essa integração entre propósito individual e missão empresarial. O resultado é descrito pela anfitriã como “um círculo vicioso positivo”, no qual o envolvimento das pessoas amplia o alcance das iniciativas e consolida uma cultura interna alinhada com valores da marca, como a proximidade. Ao mesmo tempo, este modelo “contribui para um conhecimento mais profundo dos territórios e das necessidades concretas das populações”.
Apesar das diferenças operacionais, Sonae e BPI convergem igualmente neste entendimento do voluntariado como elemento estruturante da cultura organizacional. No caso da Sonae, a aposta passa por uma lógica de abrangência territorial, procurando garantir que todos os colaboradores têm acesso a oportunidades de participação, independentemente da localização. “Tudo começa com a necessidade”, afirma o diretor de marca e comunicação, Daniel Fonseca, salientando o papel do voluntariado como porta de entrada para uma participação cívica mais regular.
Inserido no programa Sonae For All, o voluntariado articula-se com outras dimensões da estratégia de sustentabilidade, como o investimento em educação e a resposta a emergências. A experiência, muitas vezes inaugural para os colaboradores, revela-se transformadora. “As pessoas vão para dar e recebem muito mais do que esperavam”, nota o responsável, apontando este efeito como motor de continuidade e envolvimento.
Já no BPI, o voluntariado surge profundamente enraizado no ADN da organização. O diretor de comunicação interna, Pedro Barbosa, recorda que o banco manteve o compromisso com iniciativas sociais mesmo em momentos de crise, como atesta o Prémio Capacitar. O programa de voluntariado, lançado há cinco anos, beneficiou dessa herança e rapidamente mobilizou a maioria dos colaboradores.
A estratégia de dar protagonismo aos participantes nas ações e reforçar a dimensão emocional da comunicação tem criado identificação e sentido de pertença. “É facílimo comunicar o voluntariado internamente porque faz parte do ADN do banco”, garante Pedro Barbosa. Embora reconheça que a avaliação de impacto ainda está em desenvolvimento, destaca o envolvimento da equipa de gestão como fator crítico para o sucesso do programa.
Entre as três organizações, emergem pontos de contacto no entendimento do voluntariado: expressão de propósito, centralidade das pessoas e ambição de gerar um impacto que não se reduza a métricas quantitativas. Trata-se de um movimento que procura alinhar cultura interna, estratégia empresarial e necessidades sociais, numa lógica de criação de valor partilhado.
No caso da Galp, essa ambição ganha expressão prática em novas iniciativas anunciadas na conferência. Como sintetiza a diretora de relações externas e comunicação, Ana Silveira, “o convite é simples: transformar intenção em atitude e propósito em impacto real” em ações de voluntariado abertas à comunidade em territórios como Leiria, Marinha Grande, Sines e Alcântara.

Realizada na sede da Galp, em Alcântara, a conferência reuniu mais de 150 voluntários, parceiros, especialistas e colaboradores